João Pinheiro MG – Brasil ganhará novo polo cafeeiro com investimento de R$ 1 bilhão em Minas Gerais
Uma nova joint-venture está se formando no noroeste de Minas Gerais para impulsionar a produção de café irrigado. A empresa Jacurutu Coffee é fruto da união entre a Santos & Dias — maior produtora independente de florestas em Minas Gerais — e a Ruiz Coffees, segunda maior produtora de café do país.
A fazenda-base está situada no município de João Pinheiro (noroeste de Minas), numa área de cerca de 6 000 hectares úteis, atualmente sob controle da Santos & Dias há cerca de vinte anos. Até agora, a lavoura principal foi de eucalipto, com experimentos mais recentes em soja.
A partir de 2023, a Santos & Dias decidiu encerrar o plantio de soja e buscar uma cultura perene de maior escala. Após avaliar algumas alternativas (como laranja), a empresa fechou com a Ruiz Coffees para iniciar a produção de café arábica com irrigação total.

Modelo operacional e metas
Na operacionalização da joint‐venture, a fazenda será arrendada, com divisão 50/50 de custos para investimento em irrigação, ativo biológico e beneficiamento. A Santos & Dias responde pela infraestrutura, a gestão agrícola será feita em conjunto.
A participação societária foi fixada em 51% para Santos & Dias e 49% para Ruiz Coffees. A compra da fazenda será feita ao longo do tempo pela nova empresa, com pagamento vinculado à geração de caixa do projeto.
A previsão de investimento está na casa de R$ 1 bilhão, com a meta de produzir até 2,6 milhões de sacas de café arábica em até dez anos.
Cronograma e escala
A implantação de toda a área será feita em cerca de cinco anos. O plano inicia com plantio em junho do próximo ano, com 600 hectares na primeira fase, ritmo de 100 hectares/mês e meta de 1 200 hectares no ano seguinte.
A expectativa é que a geração de caixa comece a partir do 8º ano (considerando o tempo de maturação do café, normalmente 3 anos até produção plena).
Diferenciais da localização e da irrigação
A totalidade da área será irrigada — com pivôs e gotejamento — o que representa vantagem competitiva.
A região também apresenta atributos favoráveis: altitudes de aproximadamente 800 metros, regime de dias mais longos, e menor risco de geadas em comparação com regiões do Cerrado que recentemente sofreram.
O custo previsto por hectare na nova lavoura está estimado em torno de R$ 25 mil, enquanto em sul de Minas regiões mais tradicionais essa cifra varia entre R$ 15 mil e R$ 18 mil. Contudo, a irrigação permite produtividades de até 45 sacas por hectare (contra média de 25 a 30 sacas no sul de Minas) — o que melhora muito o custo unitário.
Considerações finais
Esse projeto sinaliza uma mudança de paradigma: agricultura em larga escala, irrigada, voltada para café arábica exportação e combinando expertise em florestas e em cafeicultura. A Santos & Dias traz as terras e a infraestrutura; a Ruiz Coffees aporta a expertise em café. O modelo visa governança corporativa, sustentabilidade (há menção de certificação da Rainforest Alliance e de preservação de vegetação nativa em proporção de 1:1 por hectare plantado) e geração de valor de longo prazo.

